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sábado, 16 de julho de 2011

Literatura de Cordel na Escola

E. E. PROFº LUIZ D’AUREA
PROJETO: SEMANA MIRIM DE 22
LITERATURA DE CORDEL
Profª.: Josefa Reis Santos Cristo
Série: 8º C Grupo:
Adrielly Kaline dos Santos Ratiz
Joyce Batista Ferreira
Aline Costa da Silva
Ana Maria da Silva de Jesus Simão
Maira Alves da Cruz

Homenageada: Gelza Reis Cristo


Vou contar uma história toda
De uma mulher batalhadora
Ela é uma excelente escritora
E também uma querida professora.

Aos cinquenta e tantos anos
A Josefa já está
Mas a história dela
Eu ainda vou contar

Da Rede Estadual é professora
Também culinarista e escritora
Poeta e declamadora
Tudo isso ela adora.


A história da Gelza começa assim:
Quando ela tinha sete anos de idade
Queria uma escola de verdade
Mas somente aos dezesseis foi conseguir

E com a matrícula de verdade ingressou
E muitos anos se passaram e ela voou
E na faculdade de Letras se formou
E também muito aluno ensinou.

Em mil novecentos e noventa e seis
Sua carreira literária cresceu
Quando pela primeira vez
Publicou poemas e poesias que fez.

E vieram os livros de poesias
E todos as antologias
Sua autobiografia
E também A Cozinheira Nômade

Está em fase de editoração
O seu livro de poesias
Homenagens do coração
Que é uma antologia

Gelza dá um ótimo exemplo de vida
Porque tem sua vida florida
Esqueceu suas feridas
E é muito divertida.

Gosto muito do seu jeito de ler
E também de escrever
Amo essa professora dá pra ver

Com essas poucas palavras irei terminar
Com todos esses versos deu pra falar
Que Gelza é muito legal e não temos do que reclamar.



quinta-feira, 19 de maio de 2011

Sobre Gonçalves Dias - Pesquisa

Eu uso MARY KAY (saiba mais... cristogelza@gmail.com)




Por Gelza Reis Cristo
GONÇALVES DIAS

Pesquisa e estudo sobre as três gerações do Romantismo Brasileiro.


A lírica de Gonçalves Dias é um vôo nacional em que o autor com maestria constrói traços de formação clássica e lusitana, na sua rica formalidade poética, equilibra-se sem exageros românticos e não deixa de o ser. Como os demais colegas, também era a sua intenção elevar a poesia brasileira nas condições européias. Um empenho devido a contemporaneidade da Independência e a necessidade de uma cultura brasileira – temas preferidos: natureza, religião, amor, solidão, pátria, índio e medievalismo. Entre os românticos o melhor.

OLHOS VERDES
Eles verdes são:
E têm por usança
Na cor esperança
E nas obras não.
Camões, Rimas.
São uns olhos verdes, verdes,
Uns olhos de verde-mar,
Quando o tempo vai bonança;
Uns olhos cor de esperança
Uns olhos por que morri;
Que, ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!
Como duas esmeraldas,
Iguais na forma e na cor,
Têm luz mais branda e mais forte.
Diz uma - vida, outra - morte;
Uma - loucura, outra - amor.
Mas, ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!
São verdes da cor do prado,
Exprimem qualquer paixão,
Tão facilmente se inflamam,
Tão meigamente derramam
Fogo e luz do coração;
Mas, ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!
São uns olhos verdes, verdes,
Que pode também brilhar;
Não são de um verde embaçado,
Mas verdes da cor do padro,
Mas verdes da cor do mar.
Mas, ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!
Como se lê num espelho
Pude ler nos olhos seus!
Os olhos mostram a alma,
Que as ondas postas em calma
Também refletem os céus;
Mas, ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!
Dizei vós, ó meus amigos
Se vos perguntam por mi,
Que eu vivo só da lembrança
De uns olhos da cor da esperança,
De uns olhos verdes que vi!
Que, ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!
Dizei vós: Triste do bardo!
Deixou-se de amor finar!
Viu uns olhos verdes, verdes,
Uns olhos da cor do mar;
Eram verdes sem esp’rança,
Davam amor sem amar!
Dizei-o vós, meus amigos,
Que, ai de mi!
Não pertenço mais à vida
Depois que os vi!


a) para a epígrafe do seu poema, que tipo de poesia camoniana Gonçalves Dias escolheu: a de tradição medieval ou a renascentista? Justifique:
b) de tradição medieval, pois os versos são pentassílabos (redondilha maior);

Observe agora a estrutura formal de “Olhos Verdes”. Que aspectos o associam à tradição poético medieval e popular? Resp.: O emprego de redondilhas maiores, os paralelismos ( há versos que se repetem total ou parcialmente) e a musicalidade.

c) que palavra usada no português arcaico confirma essa filiação? Resp.: A palavra mi que já no século XIX era um arcaísmo.
d) Ao término de cada estrofe alguns versos se repetem como um refrão. Qual o estado do eu-lírico quando viu os olhos verdes? Resp.: O eu-lírico perdeu o senso, ou a própria identidade; enlouqueceu.
e) Com base no verso “Que ai de mi” , que suposição podemos fazer a respeito de como o eu lírico se sente? Resp.: Que o eu lírico se sente infeliz, lamenta a sua condição.
Considerando o modo como o eu lírico se sente, que atitude em relação a ele podemos supor que a mulher amada teve? Resp.: Que ela o rejeitou ou fez pouco caso dos sentimentos dele; daí o sofrimento do eu lírico.

Os românticos rejeitam a visão equilibrada e harmônica da vida que os clássicos tinham e apreciam o emprego dos dualismos. O poema em estudos faz uso dos dualismos para caracterizar a mulher amada:
As antíteses vida/morte; e loucura/amor, por meio das quais o poeta sugere emoções conflituosas que a mulher amada desperta no eu lírico.
a) destaque da 2ª estrofe um dos dualismos que cumprem essa função;
b) outro dualismo se verifica na 4ª estrofe. Introduzindo-a com o verso: “Como se lê no espelho”, o poeta faz um jogo de relações binárias para comparar a mulher amada à natureza: olhos - ondas
alma céus
Com base nessas imagens especulares (de espelho), explique a semelhança entre olhos e ondas e entre almas e céus:
Do mesmo modo que as ondas do mar calmo refletem os céus, os olhos da mulher amada refletem a alma dela. Assim, os olhos (verdes) estão para o mar (ondas) como a alma está para o céu. Logo, os olhos da mulher amada, também sugerem, como os céus, o infinito, a beleza, a serenidade etc.

As duas últimas estrofes apresentam diferenças em relação às anteriores.
a) a quem se dirige o eu lírico? Aos leitores ou aos amigos.
b) Qual é a sua condição, revelada na alteração do refrão “Não pertenço mais a vida”/Depois que os vi”. Por não ser correspondido, o eu lírico sente-se um morto-vivo, alguém que, embora vivo, morreu interiormente.
O ULTRA-ROMANTISMO
Algumas décadas depois do início do Romantismo, o Brasil ganha novos rumos com o aparecimento dos ultra – românticos. Esses poetas, sem o compromisso com a nacionalidade, assumido pela geração, desinteressam-se pela vida político-social e voltam-se para si mesmos, numa atitude profundamente pessimista diante da vida. Como forma de protesto contra o mundo burguês, vivem entediados, esperando a morte chegar. Essa geração sentia-se perdida e inadequada para a sociedade da época. Muitos poetas dessa fase morreram aos vinte anos de idade. Apegavam-se a valores decadentes como a bebida e outros vícios noturnos e a atração pela morte. Álvares de Azevedo. Desprezaram o nacionalismo e o indianismo e acentuaram traços no subjetivismo, o egocentrismo e o sentimentalismo, ampliando a experiência da sondagem interior e preparando o terreno para a investigação psicológica.
O MEDO DE AMAR – as obras apresentam visão dualista que envolve atração e medo, desejo e culpa. Temiam a realização amorosa. Em Álvaro, a antítese personificada – um projeto literário baseado na contradição, perfeitamente enquadrada nos dualismos que caracterizam a linguagem romântica, a face do bem e do mal. A ironia é um traço constante de sua obra, uma forma não passiva de ver a realidade, um modo de quebrar a noção de ordem e abalar as convenções do mundo burguês – o lado Caliban é a linha orgânica e satânica – ao ironizar algumas das atitudes mais caras a sua geração: a pieguice amorosa e a idealização do amor e da mulher. – forte presença do quotidiano.
O erotismo como forma de combate: [ o descompassado amor a carne, o satanismo] [...] representavam atitudes de rebeldia – faziam do sexo uma plataforma de libertação e combate que se articulava à negação das instituições.
Análise do poema IDÉIAS ÍNTIMAS : a) entediado, o eu lírico isola-se em seu quarto, limitando-se a ler e a fumar;
c) bebendo fumando e lendo romances lascivos;
d) tinha sonhos de ser poeta e de ser feliz, em mundos de fantasia habitados pelas grandes amantes da literatura como Margarida, Elvira, Clarissa.
e) Versos que ironicamente destroem a idealização amorosa: “ [ ... eu acordava/ Arquejando a beijar meu travesseiro!”
f) Em contraposição ao mundo degredado e caótico do eu lírico, os pais significavam pureza e serenidade; por isso conservava com carinho o porta-retrato.
g) Momentos de devaneios: os dois primeiros e os três últimos versos da parte XIV revelam consciência por parte do eu lírico. Os versos intermediários sugerem um estado de embriaguez do eu lírico motivado pelo conhaque e pelo tédio do ambiente solitário. Efeito do alcool? Volta-lhe a mente a imagem de uma mulher amada.

Vocabulário romântico:
Imigas: inimigas; mendaces: mentirosas, traiçoeiras; silvos: assobio;
Fugaces: que fogem velozes; ignavos: covardes; talados: devastados, arrazados;
Piagas: pajés; maracás: chocalhos; mi: mim; acerbo: doloroso, árduo; quebrando: cansado, frágil; troço: corpo de tropas; vil: moralmente baixo; deploro: lamento, choro; bardo: poeta trovador; Lamartine: poeta romântico francês;
Blasé: entediado; olvidar: esquecer; libar: beber, sorver; lascivo: sensual; ditoso: feliz; condão: virtude especial, dom; eflúvio: exalação, emanação; silfo: gênio do ar na mitologia céltica; cândido: imaculado, puro; lânguido: abatido, sensual; colo: parte do corpo formada pelo pescoço e pelos ombros; mavioso: suave, harmonioso; intumecer: incha, torna-se túmido; pegureiro: guardador de gado, pastor; messe: colheita; estio: verão; porvir: futuro; flébil: lastimoso, choroso; estro: inspiração, criatividade; fulgura: relampeja, brilha; asinha: depressa; dantesco: relativo as cenas horríveis narradas por Dante Alighiere em sua obra Divina Comédia, na parte em que descreve o inferno; tombadilho: alojamento do navio; luzernas: clarões; açoite: chicote; turbilhão: redemoinho; espectros: fantasmas; vãs: inúteis; arquejar: ofegar; calandra: espécie de cotovia; cambraia: tecido fino de linho ou algodão; espádua: parte posterior do ombro; arminhos: brancuras; balouçar: balançar; alcova: quarto de casal; trescalar: exalar cheiro; alabastrina: cor de alabastro (branca); voluptuosa: sensual; lira: instrumento musical; cavatina: pequena área (peça musical).

A POESIA LÍRICA DE CASTRO ALVES:

Embora a lírica amorosa de Castro Alves ainda contenha um ou outro vestígio de amor platônico e da idealização da mulher, no geral ela representa um avanço decisivo na tradição poética brasileira, por Ter abandonado tanto o amor convencional e abstrato dos clássicos quanto ao amor cheio de culpa dos românticos. Em vez de “virgem pálida”, a mulher de boa parte dos poemas de Castro Alves é um ser corporificado e, mais que isso, participa ativamente do envolvimento amoroso; e o amor é uma experiência viável, capaz de trazer tanto a felicidade e o prazer como a dor. Portanto, o conteúdo de sua lírica é uma espécie de superação da fase adolescente do amor e o início de uma fase adulta, mais natural que aponta para uma subjetividade, pronunciando o Realismo.

BOA NOITE
Boa noite, Maria! Eu vou-me embora. É noite, Pois! Durmamos Julieta!
Rescende a alcova ao trescalar das flores,
A lua nas janelas bate em cheio. Fechemos sobre nós estas cortinas...
Boa noite, Maria! É tarde... é tarde... __ São as asas dos arcanjos dos amores.
Não me apertes assim contra teu seio.
A frouxa luz da alabastrina lâmpada
Boa noite!... E tu dizes__ Boa noite, Lambe voluptuosa os teus contornos...
Mas não mo digas assim por entre beijos... Oh! Deixa-me aquecer teus pés divinos
Mas não mo digas descobrindo o peito, Ao doudo afago de meus lábios mornos.
__ Mar de amor onde vagam meus desejos.
Mulher do meu amor! Quando aos meus beijos
Julieta do céu! Ouve... a calandra Treme tua alma como a lira ao vento,
Já rumoreja o canto da matina. Das teclas de teu seio que harmonias,
Tu dizes que eu menti? ... Pois foi mentira... Que escala de suspiros, belo atento!
...Quem cantou foi teu hálito, divina!
Ai! Canta a cavatina do delírio,
Se a estrela d”alva os derradeiros raios Ri, suspira, soluça, anseia e chora...
Derrama nos jardins de Capuleto, Marion! Marion!... é noite ainda.
Eu direi me esquecendo d”alvorada; Que importa os rais de uma nova aurora?!...
“ É noite ainda em teu cabelo preto...”
É noite ainda! Brilha na cambraia Como um negro e sombrio firmamento,
_ Desmanchando o roupão, a espádua nua__ Sobre mim desenrola teu cabelo...
O globo de teu peito entre os arminhos E deixa-me dormir balbuciando:
Como entre as neves se balouça a lua... --- Boa noite! Formosa Consuelo!...
Análise: a)em relação ao coito amoroso presente no texto a mulher amada tem uma reação quando o amante diz que vai embora. Ela aperta o amante ao seio, afim de amá-lo retendo-o por mais tempo;
c) Há uma reação por parte dessa mulher que difere das outras da 1ª e 2ª geração romântica: nas gerações anteriores a mulher tinha a postura mais passiva ou distante em relação ao seu homem. Nesse poema ao contrário, a mulher é participante do momento do amor;
d) Da 5ª estrofe em diante o amor pega fogo: “Desmancha o roupão, a espádua nua” e “Globo do teu peito”. Havia o desejo de nova doação;
e) Já na 5ª, 6ª e 7ª estrofe podemos observar e destacar a percepção sensorial do eu lírico através da visão, audição, tato, olfato e paladar: na 5ª estrofe predomina a visão, na 6ª o olfato e na 7ª o tato;
f) Já na 9ª estrofe o coito se concretiza, um extase ( “subir nas nuvens”) sugerido pela palavra delírio. Há uma embriaguez amorosa onde se destacam as sensações e é aí que a cena deveria ser paralisada para satisfazer a verdade sobre o romantismo, a felicidade eterna enquanto o mundo girava lá fora, bem longe dos amantes. Veja a confirmação:
Ri, suspira, soluça, anseia e chora.”
O instante de gozo:
“É noite ainda! Que importa os raios de uma nova aurora?!...”
g) Com relação ao emprego da expressão Boa noite na 1ª e na última estrofe há uma alteração de sentido de uma estrofe para outra. Observe: na 1ª estrofe, a expressão tinha o sentido de despedida; na última, como o eu lírico vai continuar com a mulher amada, o verso revela o desejo de que ela, como ele, tenha uma boa noite de amor;
h) No decorrer do poema o eu lírico chama a mulher amada de diferentes nomes: Maria, Julieta, Marion e Consuelo e todas são personagens de Histórias de um grande amor de escritores europeus. Qual a finalidade de tanta multiplicidade?
Resposta: São várias as interpretações que podemos fazer e uma delas é o desejo de universalizar a mulher e o amor; portanto, no poema não é apenas a sua amada, mas as características de uma mulher-amante. Uma síntese da mulher universal.

Sengundo ANTONIO CÂNDIDO (Formação da Literatura Brasileira vol 2, l918), “Destacando o problema do gosto... certos gelo nos permite suspender a emoção ainda que por lampejos[...] e destacar alguns aspectos negativos na obra castroalvina”:
_ “como o sabes?...” “cconfessas?..._ “Sim, confesso...”[...]

refere-se ao abuso do aposto, de exemplos “semibestialógicos, quando a vertigem oral e a necessidade de rimas não tem a sorte de encontrar solução imediata de beleza”.

terça-feira, 17 de maio de 2011

OS MENINOS DE JOÃO ROMÃO

Texto de Gelza Reis Cristo

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Eu queria tocar seu coração como o meu foi tocado ao ouvir aquela história. Eu queria que você, caro leitor, sentisse o que eu senti quando ouvi a história da adoção dos meninos de João Romão da Silva. Aquilo era coisa do destino ou de um homem incomum que queria encher a casa de filhos custasse o que custasse. Ele já havia criado três mulheres e agora estava tentado pelo amigo Ezequias a adotar os seus três filhos ainda pequenos; o maior com pouco mais de 10 anos. O pai se encontrava no leito de morte e só confiava seus três meninos ao seu melhor amigo João Romão, o cosipano que por infortúnio do benzeno virou pedreiro.
Quando a jovem Valdenise começou a narrar os fatos nos mínimos detalhes pensei tratar-se de exagero ou ficção. Mas a verdade vinha do entusiasmo da moça e do orgulho do feito do seu pai. Pelo rumo da história tudo era mesmo obra do destino de dois homens numa encruzilhada da vida.
João Romão, homem simples, e trabalhador da COSIPA vivia mesmo para a mulher e mais três filhas, uma família feliz. Contudo houve uma época de nuvens negras na grande firma de Cubatão onde trabalhava. E não era apenas um caso isolado, o “benzinismo”, uma doença que na época devastou muitas famílias. A “Leucopenia” gerada pelo benzeno levou muitos trabalhadores a um afastamento precoce. No entanto, João Romão iniciou uma atividade como pedreiro para não se render àquela doença. E foi aí nesse atalho que um tombo de um telhado complicou a sua vida. Na opinião dos médicos a sua coluna não teria mais conserto. A família e os amigos começaram a orar e acreditar que havia salvação. Ezequias da Silva Borges era seu vizinho e também melhor amigo. Não havia mulher pra separar grande amizade. “Amigo João Romão, tu vai ficar bom e ainda há de construir o meu barraco pra abrigar os meus filhos.” Dizia o Ezequias.
“Deixa disso meu grande amigo, não vê que minha mulher não quer me vê mais no trabalho?”. Interrogava o João Romão.
“Você vai ficar curado e construir o meu telhado”. Era a frase repetida do vizinho mais chegado do pedreiro, seu amigo.
João Romão ficou beleza e construiu mais uma casa e dessa vez a doença pegou de jeito o amigo Ezequias que ficou desenganado. A bruxa varreu a casa e levou sua mulher que não servia pra nada. Pois disse até pro Juiz que seus filhos não queria provando pra esta vida que ficou sem serventia. A história começou quando a mesma inventou uma tal de antipatia pelo amigo do marido que o via todo dia. E plantou a ojeriza só pra abandonar os filhos logo agora que o Esequias sofria na agonia de falhar para os seus filhos. Por Deus amigo Romão, me prometa adotar os meus filhos tão queridos que não posso mais cuidar. Você viu que a mãe deles é mesmo mulher-errada que nem dos filhos quer cuidar.
João Romão dali saiu pra consultar a família mesmo tendo a certeza que seu coração batia por três meninos lá em casa pra completar a família. Reuniu sua mulher e também as suas filhas. Olhou para a Valdenise, depois para a Valdire no silêncio a Viviane foi chegando mais a frente para ouvir a decisão de um homem de família. Dessa vez Maria de Nazaré, a mulher de João Romão fez jus ao nome de Maria chará da mãe de Jesus ao abraçar o marido pela sabia decisão de adotar os meninos sabendo que Esequias esperava pela morte no raiar de um novo dia. Mas cá para nós, meus queridos leitores, aqui no nosso país o processo de adoção é como uma penitência sem importar o grau de cada situação. E a espera mais penosa foi a do pai dos meninos que padecia por antecedência das perdas que lhe viriam. Mas o tempo foi passando e o dia enfim chegou e no sol do meio dia o senhor Ezequias assinou o papel da tão esperada adoção, tornando assim o João Romão um pai da compaixão, pois no final daquele dia velou o seu melhor amigo com o coração nas mãos. Mas muito ciente da sua nova missão.
Pensei que essa história já havia terminado mais lembrei do entusiasmo da mocinha Valdenise que contou com tanta graça e de olhar de vagalume sobre o irmãozinho pequenino quando ainda bem novinho sem saber que um homemzinho usava uma cuequinha. Ao ganhar a vestimenta, o menor dos três meninos fazia mesmo questão de baixar a bermudinha e mostrar para as visitas que ganhara a cuequinha.

__Você sabia?
“Alterações hematológicas em pacientes expostos cronicamente ao benzeno”

João Romão e mais centenas de trabalhadores da COSIPA foram vítimas do benzeno. A “leucopenia” causa alterações hematológicas do sangue periférico e da medula óssea em pacientes expostos cronicamente ao benzeno. Este hidrocarboneto é utilizado como matéria prima ou solvente nas industrias siderúrgicas. “No início da década de 80, o Município de Cubatão, no Estado de São Paulo, passou a ocupar as páginas do noticiário devido às denúncias da ocorrência de poluição ambiental decorrentes do parque industrial nele instalado. A partir de 1979, trabalhadores da Companhia Siderúrgica Paulista (COSIPA) começaram a apresentar alterações hematológicas quantitativas, com redução de número de leucócitos. A divulgação deste fato gerou desconfiança e a partir de 1985, centenas de trabalhadores foram afastados de suas atividades por “leucopenia” que, de dado hematológico usual, passou a sinônimo de benzenismo.”
Fundamentação Ciêntífica:
Fonte: Revista de Saúde Pública, vol. 27 nº 2 São Paulo Apr. 1993.